terça-feira, 10 de maio de 2011

Simples Desejo


Alguns dias são inexplicavelmente fáceis. Hoje foi assim. Mas o importante não é essa parte. Todo mundo sabe que dias bons acontecem, assim como os ruins, seja pra quem tem depressão ou pra quem não tem. O que me chamou a atenção foi como aconteceu.
Há alguns dias fui à minha médica e tivemos uma conversa bastante esclarecedora sobre como eu estava encarando meu tratamento. Eu disse a ela que estava me esforçando muito para me manter calma, tranqüila e evitar crises. Disse que não queria preocupar meus pais nem ser um peso pra o meu namorado. O que ela me explicou mudou totalmente a minha visão. Ela me disse que eu não deveria “me esforçar” pra ficar bem, que o objetivo do tratamento é que eu consiga ficar bem sem fazer força, como todas as outras pessoas. Que essa atitude representava apenas mais uma cobrança, mais uma responsabilidade que eu impunha a mim mesma, como se já não fossem tantas.
Acho que ser feliz é um direito, não uma obrigação. Talvez esquecer isso seja o que tornou tão pesado o início do tratamento, não só pra mim, mas para meu namorado também. Ele é a única pessoa que eu tenho para compartilhar meus sentimentos e tanta responsabilidade acaba sobrecarregando-o. Eu passei a sentir desesperada pra mostrar resposta ao tratamento, a apresentar resultados, como se esperasse me curar do dia para a noite. É uma sensação muito frustrante.
Mas hoje foi diferente. Eu acordei e quando saí do banho estava com uma música na cabeça. Ou melhor, um refrão: “hoje eu só quero que o dia termine bem...”. Enquanto me olhava no espelho, pensei nisso. Na verdade, decidi isso. Tudo que eu esperaria do dia de hoje é que ele terminasse bem.
Se o dia foi bom? Não, não teve nada de espetacular. Um dia normal, inclusive com alguns momentos desagradáveis. Só que eu não me desesperei por isso. Anoiteceu e amanhã vai amanhecer, do mesmo jeito. E eu ainda vou estar aqui.
A diferença de hoje pra uns dias atrás é que foi leve. Nada era o fim do mundo. Nada era decisivo e dramático. Eu dei aos problemas sua devida importância e tudo fluiu.
Será que essa é a resposta? A gente precisa decidir ser feliz? Sinceramente eu acho que é um pouco mais complicado que isso, mas talvez já seja um passo.
Música de hoje: Simples Desejo – Luciana Mello. Enjoy!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Ébria

Às vezes me embriago na minha tristeza. Tem gosto de vodka, pura e com gelo. O segundo gole não tem gosto melhor, mas torna o terceiro inevitável.

Não há nada de tão saboroso na vodka, mas muita gente bebe. Até mistura alguma coisa pra dar mais gosto, pra dar um motivo à vodka. Tudo falso. É só pelo prazer masoquista da vodka.

Particularmente, eu fico profundamente irritada com quem me pergunta com quem me pergunta com o quê eu to tomando vodka. Eu to tomando vodka e é só, pronto! Se o refrigerante importasse, eu dispensava o álcool e comprava um guaraná.

Sabe o que ela faz com você? Ela toma de você o corpo que ela não tem. A vodka faz com seu corpo tudo que ela não pode fazer com a garrafa: fala, grita, ofende, declara, dança, ri, corre, cai, se esconde, se machuca. Tanto faz. O corpo não é dela mesmo... descompensa sem remorso e na hora da ressaca ela já foi. E nem deixa bilhete.

A vodka é sua gêmea má. Ela apronta e você que leva a culpa, sem nem entender direito o que aconteceu. Sem nem ter controle sobre o que aconteceu...

Como um líquido pode ser tão ruim e tão tentador? Tão doloroso e tão irresistível? Como é que eu não consigo me livrar desse vício?

terça-feira, 3 de maio de 2011

Fobia social???

Eu não posso dizer que eu não gosto de gente. Eu gosto muito de gente. Adoro conversar, brincar, rir, compartilhar... Mas de uns tempos pra cá eu ando evitando. Ou eles andam me afastando.

Não falo de todas as pessoas. Existem pessoas maravilhosas. Mas são tão poucas que deixam a gente sem esperança no mundo. As que eu conheço não são suficientes pra contar todos os dedos das minhas mãos. É claro que eu prefiro estes poucos e bons amigos à todo aquele amontoado de pessoas tão cheias de preconceitos, amargura, egoísmo e maldade.

O problema é que como os leais são tão pouquinhos, é difícil me cercar deles. As víboras são tantas... e o pior é que parece que as piores estão sempre por perto. Eu não sei como eu consegui passar tanto tempo até agora tendo que aturar pessoas que eu não suporto de jeito nenhum! Todos os dias!

Droga! Por que eu sempre acabo ficando sozinha?

Sabe o que é o pior de tudo? É que eu acabo ficando magoada com as pessoas boas que eu conheço por não estarem aqui. Por não estarem por perto. Eu sei que não é culpa delas, mas tem sido tão difícil ser racional... eu só queria não me sentir tão só...

Esse semestre, na faculdade, na divisão dos grupos que assistiriam aula juntos eu acabei ficando separada de todo mundo que vale a pena. Pior: acabei tendo que fazer tudo e assistir todas as aulas com um grupo horrível, todo formado por pessoas individualistas, que se acham melhores que todo mundo e me acham pior que todos eles.

O que dói mais é a exclusão. E não venham me dizer que é impressão minha, que é coisa da depressão, que na verdade eu que tô me excluindo, porque não é não. Eles fazem de propósito. Eles me excluem das conversas, figem que não me ouvem, me dão as costas... chega ao ponto de fazerem um círculo entre eles, me deixando de fora. Isso não é coisa da minha cabeça.

Talvez por isso, somado à depressão, à minha vulnerabilidade, ando sentindo aversão à gente. Aliás, não é só aversão, chega a ser medo mesmo. Muitas vezes já me peguei tomando caminhos mais longos na faculdade para não passar por lugares onde encontre mais pessoas, principalmente as conhecidas. Não quero falar com ninguém. Não quero que me vejam.

Em alguns dias eles me fazem acreditar que sou realmente inferior. Chego em casa me sentindo um lixo. Tudo que eu quero é fechar a porta do quarto e deitar na minha cama. E depois disso, como é dificil levantar! É um desafio acordar no dia seguinte e criar coragem para encontrar com eles de novo.

A minha esperança é que o tempo não se arraste mais desse jeito. Quero passar logo por isso e nunca mais ter que olhar essas pessoas ruins de novo. Deixar tudo pra trás. Mas antes disso eu preciso ser forte. Fazer meu tratamento e fabricar coragem se for preciso. Eu não vou sair da faculdade me escondendo. Não vou mesmo! Eu vou sair de cabeça erguida, tendo mostrado a todo mundo meu valor. Ou pelo menos, dar o meu melhor tentando.

E por falar nisso, tá na hora de fechar o diário e estudar... Entrar na faculdade é difícil, mas só tem um jeito de sair dela. E por enquanto, isso é o que eu mais quero.